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Alunos da Zona Rural visitam Casa da Farinha

Por Mônica Marins em 21/03/2014
Imagem da Notícia: Alunos dos 3º, 4º e 5º anos da Escola Municipal Antônio Vieira de Andrade, na localidade de Papicu, na Zona Rural, tiveram uma aula diferente nessa quinta-feira (20). Acompanhados pela bióloga e coordenadora do Departamento de Escolas no Campo, ligado a Subsecretaria de Diversidade, Inclusão e Educação Integral Bete Franco, os estudantes puderam conhecer uma antiga fazenda de café, onde há uma Casa de Farinha, na fazenda Rio Fundo, que está localizada em Arrastão das Pedras, na divisa dos municípios de São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande.

Alunos dos 3º, 4º e 5º anos da Escola Municipal Antônio Vieira de Andrade, na localidade de Papicu, na Zona Rural, tiveram uma aula diferente nessa quinta-feira (20).  Acompanhados pela bióloga e coordenadora do Departamento de Escolas no Campo, ligado a Subsecretaria de Diversidade, Inclusão e Educação Integral Bete Franco, os estudantes puderam conhecer uma antiga fazenda de café, onde há uma Casa de Farinha, na fazenda Rio Fundo, que está localizada em Arrastão das Pedras, na divisa dos municípios de São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande.

 

 

Antes de chegar à fazenda Rio Fundo, eles passaram na frente de outra fazenda, a do “bicho da ceda”, onde também há um vasto material de senzala. Outro lugar importante a caminho da “Casa da Farinha” é a fazenda conhecida popularmente como “Terra dos Índios Tupinambás” onde há um sítio arqueológico não oficializado.

Ao chegar à fazenda Rio Fundo, a caravana escolar foi recebida pelo simpático dono das terras: o senhor Adão Tavares. Com 66 anos ele guarda em sua fazenda verdadeiras relíquias deixadas pelo pai Antônio José Veríssimo, mais conhecido como “seu Didico”.

Entre os objetos que chamaram a atenção da criançada estão uma ferramenta usada para empurrar a rolha das garrafas, uma “bala” de canhão e o vira-mundo, um instrumento de castigo dos escravos. Era utilizado para imobilizar os escravos para que eles pudessem sofrer castigos corporais sem resistência. Tinha esse nome porque o escravo que usasse esse instrumento de tortura, certamente passaria para “o outro mundo”.

O “seu Adão” explicou que encontrou o vira-mundo quando tinha nove anos, na cisterna de uma fazenda próxima à do seu pai. O vira-mundo estava no esqueleto de um homem. Impressionadas, algumas crianças quiserem ter uma ideia de como se sentiam os escravos “usando” o vira-mundo. “É muito ruim tia”, disse emocionado Maicon Santana de dez anos.

A “Casa da Farinha” também encantou os alunos. Eles fizeram perguntas, tocaram nos objetos e ouviram as explicações do seu Adão. Ele ensinou como é o processo de fabricação artesanal da farinha: “Na casa de farinha as raízes são lavadas, descascadas e raladas na cevadeira, peça cilíndrica provida de lâminas e ligada a uma roda, que é acionada por motor ou uma manivela. A massa ralada e depositada nos "tapitis" – cestos de taquara – colocados sobre a base da prensa em uma escavação com o mesmo formato e diâmetro do cesto, para que ele caiba exatamente naquele local, chamado "queijo". Em seguida o fuso é girado para descer com seu peso sobre o "tapiti", amassando-o. Uma vez retirado este suco pela prensagem, a massa é peneirada até que fique consistente e pronta para ser torrada e consumida. A torrefação é feita em tachos sobre um forno de barro, onde se mexe constantemente o conteúdo com um "rodo" de madeira.”.

Segundo informações da bióloga Bete Franco, a ideia de conhecer a fazenda Rio Fundo partiu da própria escola, que está trabalhando com os alunos um projeto de resgate da identidade do bairro onde eles vivem.