Consciência Negra: Secretaria de Cultura lança minissérie audiovisual

Série de vídeos vai trazer personalidades de São Pedro da Aldeia que perpetuam a cultura e as tradições do povo negro

Comemorado há mais de 30 anos por ativistas do movimento negro, o Dia Nacional da Consciência Negra será marcado por ações digitais em São Pedro da Aldeia. Sob iniciativa da Secretaria Adjunta de Cultura, a minissérie audiovisual “Cultura Negra e Identidades” vai trazer entrevistas com personalidades do município que, por meio do seu trabalho, contribuem para a valorização e preservação da cultura e das tradições do povo negro nos mais diversos segmentos. Os vídeos serão disponibilizados semanalmente na página da Cultura no Facebook.

No primeiro vídeo da série, lançado neste sábado (20), Dia da Consciência Negra, o líder religioso Marcelo Freire, o Marcelo de Ayrá, desmistifica estigmas acerca das religiões de matriz africana, com ênfase no Candomblé, e aborda a importância histórica da religiosidade como um movimento de resistência dos povos negros escravizados que, no século XVI, eram marginalizados e proibidos de praticar sua religião.

“Na época da escravidão, os negros fugiam pelas matas e criavam os seus próprios rituais de espiritualidade, presenteando a sua ancestralidade. Aquilo ali, na verdade, era um amparo para essas pessoas que pediam socorro, que estavam feridas e sem ter o que comer. Era a prática religiosa que dava forças para que eles conseguissem se refugiar nos quilombos”, conta Marcelo.

O líder religioso Marcelo de Ayrá estreia a minissérie audiovisual “Cultura Negra e Identidades”, que vai trazer entrevistas com agentes culturais do município
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Reprodução

Fundador do centro religioso Ilê Omi Aṣè Ayrá Obìjínaye, que há 11 anos funciona no bairro Parque Dois Meninos/Balneário, Marcelo é um dos agentes culturais atuantes no município, que contribuem para a conservação da tradição cultural e espiritual trazida pelos negros africanos ao Brasil. No país, a religião ganhou contornos a partir de meados do século XIX, na Bahia, configurando-se em diferentes vertentes, que se distinguem entre si principalmente pelas divindades cultuadas, os atabaques, os cânticos e a língua litúrgica usada nos rituais.

“A descendência do Candomblé é africana, mas a prática da religião é brasileira, por isso dizemos que são culturas afro-brasileiras. A pluralidade e a diversidade são os princípios das religiões de matriz africana. Tanto na Umbanda quanto no Candomblé, diferentes energias podem se associar formando novos elementos, mas sempre em equilíbrio, com simbolismos e significados próprios”, explica.

Foto: Reprodução

Marcelo também relata os desafios em conduzir uma casa de Candomblé, que ainda carrega o peso do preconceito racial que se transfere do negro para a cultura negra, e fala do seu papel enquanto liderança religiosa. “Já vivemos situações de perseguição, de acusações e ataques, mas nós resistimos. Eu me vejo como um escolhido no combate à discriminação, na disseminação das crenças e costumes ancestrais africanos e na luta por igualdade, e venho buscando a evolução, partindo de mim, primeiramente. Eu sou branco, de olhos claros, mas abracei a negritude, porque além de ser um povo historicamente muito perseguido e massacrado, é um povo muito resistente. Eu tenho verdadeira admiração por essa resistência que o negro possui de sobreviver e ainda se fazer feliz diante de tanto preconceito, inclusive do preconceito religioso”, afirma.

No Brasil, segundo dados de um relatório divulgado em 2016 pelo Governo Federal, entre 2011 e 2015 foram registradas 697 denúncias de intolerância religiosa. Liderando o ranking com o maior número de denúncias de casos de discriminação está o estado do Rio de Janeiro, tendo como principal alvo os praticantes de religiões afro-brasileiras. Vale lembrar que crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião estão previstos em lei e podem levar à prisão e ao pagamento de multa.

“O Candomblé é uma religião como qualquer outra e tem um papel social fundamental de amparo e acolhimento aos membros da comunidade. Neste Dia da Consciência Negra, a mensagem que eu quero deixar é a do respeito e do carinho pelas pessoas, independentemente de religião, de fé, de cor de pele, de cultura ou do nível do estudo”, finaliza.

Clique AQUI para conferir o primeiro capítulo da minissérie “Cultura Negra e Identidades”.

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