Encontro reúne autoridades, empresários e produtores rurais em São Pedro da Aldeia para discutir projeto estadual de revitalização de coqueirais

Autoridades da Prefeitura de São Pedro da Aldeia, da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento (SEAPPA), da Emater-Rio, da Pesagro-Rio e da Embrapa Solos se reuniram com empresários da agroindústria e produtores rurais dos municípios de São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Araruama, Tanguá, Rio Bonito, Quissamã e Saquarema. O encontro, que aconteceu no CIEP do bairro Estação, marcou mais uma etapa do projeto de revitalização da cultura do coco, relançado este ano pelo Governo do Estado. A iniciativa tem como objetivo recuperar os coqueirais existentes, promover o desenvolvimento sustentável, melhorar a cadeia produtiva e qualificar a mão de obra rural, por meio da oferta de incentivo financeiro e capacitação técnica. O projeto é uma realização da Secretaria de Estado de Agricultura, sob execução da Emater-Rio, no âmbito do Programa Especial de Fomento Agropecuário e Tecnológico (PEFATE), via Programa Frutificar.

Foto: Jefferson Viana

O secretário municipal de Agricultura, Trabalho e Renda, Dimas Tadeu, abriu o encontro. “A Secretaria de Agricultura sempre teve uma parceria muito boa com a Secretaria de Estado e a Emater-Rio; temos realizado diversos trabalhos que realmente nos deixam muito felizes e tem trazido resultados. Em nome do prefeito Cláudio Chumbinho, quero desejar a todos as boas-vindas e agradecer ao Estado por ter escolhido São Pedro da Aldeia como o centro desse grupo de trabalho. A nossa administração municipal tem essa visão de ser um município que, cada vez mais, quer ver novos empreendimentos e desenvolver trabalhos com foco na regionalidade. Acreditamos nesse projeto e nos benefícios que ele vai trazer para todos os produtores que persistiram em suas lavouras de coco, mesmo com todas as dificuldades. A perspectiva é de um novo tempo e de avanços nessa cultura”, disse Dimas, um dos profissionais envolvidos no projeto.

Foto: Jefferson Viana

A programação do dia contou com explanações do coordenador do PEFATE, Edmilson Gomes, e do gerente do Programa Frutificar, Ronaldo Soares. Os profissionais abordaram os princípios e formas de operacionalização dos programas, linhas de financiamento e traçaram, ainda, um panorama geral sobre a cultura do coco no Estado do Rio. Entre os assuntos apresentados estiveram o resgate histórico da atuação do Estado no segmento, as dificuldades, principais desafios e soluções tecnológicas, o declínio da cadeia produtiva ao longo dos anos, as perspectivas futuras, preços pagos ao produtor e dados sobre a produtividade média nos principais polos de produção de coco no Estado, entre outros temas.

Foto: Jefferson Viana

“Os dados colocados não são só da cultura do coco, em várias outras atividades do nosso setor agropecuário nós passamos pelo mesmo problema: mercado existente e o decréscimo proporcional à exigência de mercado e do que nós podemos ofertar dentro do Estado. Fizemos uma análise e uma revisão de como o PEFATE poderia ser aplicado para impactar de maneira positiva na recuperação do setor e esse grupo está sendo o primeiro a participar dessa experiência. É com essa união de todos os esforços e essa integração fundamental da produção, da indústria, do acompanhamento técnico, da pesquisa agropecuária, do apoio municipal e da esfera estadual que, efetivamente, que teremos a oportunidade de bons resultados”, destacou o subsecretário adjunto de Agricultura Familiar da SEAPPA, Adriano Lopes.

Foto: Jefferson Viana

O grupo de trabalho envolve técnicos e profissionais de diversas instituições, como a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro (Emater-Rio), Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Agência Estadual de Fomento (AgeRio) e universidades.

Foto: Jefferson Viana

Na ocasião, o diretor técnico da Emater-Rio, João Batista Pereira, falou sobre o processo de seleção dos coqueirais existentes que apresentaram condições favoráveis com relação ao solo, relevo, energia elétrica, volume de água e outras características básicas necessárias ao acesso a recursos do programa. Ao todo, foram selecionados 17 produtores rurais de municípios da região da Baixada Litorânea e parte do norte fluminense. Os agricultores foram escolhidos a partir da aplicação de questionários e critérios de seleção por parte dos profissionais da Emater-Rio, em visita técnica às áreas de plantação.

Foto: Jefferson Viana

“A proposta é trabalhamos inicialmente com um grupo pequeno de produtores e que eles sejam multiplicadores e influenciadores para os demais. A ideia é que a gente transforme essas áreas em propriedades demonstrativas e de referência tecnológica. A meta é passarmos de um nível de produtividade de seis mil frutos por hectare para, pelo menos, 24 mil frutos por hectare. Estamos falando de sair de 30 mil frutos/coqueiro/ano para chegarmos a 120 mil frutos/coqueiro/ano, aumentando o lucro e a rentabilidade na cultura”, complementou o diretor João Batista.

Foto: Jefferson Viana

Empresário da agroindústria instalada no município aldeense, a Vero Coco, Carlos Eduardo Carvalho também é um dos componentes do trabalho interinstitucional. “Esse projeto é fundamental para a indústria do coco aqui na região e estamos acreditando muito na parceria com todas essas entidades. O suporte da Prefeitura tem sido fantástico, na figura do Dimas, que tem apoiado muito não só as ações do projeto, mas as nossas ações como produtor de coco e como empresário de agroindústria. Isso é um diferencial e é um fator motivador para a gente seguir investindo aqui. Eu acho que estamos no caminho de conseguir ter um crescimento de produção e da qualidade do coco produzido na nossa região”, disse.

Foto: Jefferson Viana

A próxima etapa de trabalho envolve o preenchimento do formulário de cadastro dos produtores rurais e a verificação do CPF junto à instituição financeira parceira. O cronograma do projeto inclui, ainda, visitas prévias às propriedades rurais para o levantamento de campo, elaboração dos projetos técnicos de revitalização e renovação das lavouras, encaminhamento ao banco e liberação dos recursos. Os projetos agropecuários serão custeados por meio de recursos do PEFATE, via Programa Frutificar, que concede linha de crédito específica, com juros de 2% ao ano, para o financiamento e incentivo à implantação de técnicas de fruticultura irrigada.

Foto: Jefferson Viana

Produtor rural há mais de 30 anos, André Mônica, de Araruama, foi um dos produtores selecionados para compor o grupo de trabalho inicial. “Eu fico muito feliz de participar desse projeto e estar entre esses 17 produtores selecionados a nível de Estado. A fruticultura tem um significado muito importante para a economia fluminense; é uma vocação e uma tradição de muitos anos sobretudo na nossa região, além de ser uma grande geradora de emprego e renda. Esse projeto alia duas ferramentas que são fundamentais para nós produtores: o acesso a crédito e o suporte técnico. Quando a Emater, a Secretaria de Estado, as empresas vinculadas chamam a gente para um projeto novo como esse, isso nos entusiasma e desperta na gente uma crença de que as coisas vão melhorar”, afirmou.

Foto: Arquivo | Jefferson Viana

Também compuseram a mesa principal do encontro o presidente da Emater-Rio, Jorge Gonçalves; o chefe do Centro de Pesquisa da Pesagro-Rio em Macaé; Júlio Cesar Monteiro de Barros; e o pesquisador da Embrapa Solos, Ênio Fraga. A reunião também contou com a presença de extensionistas dos municípios da área de abrangência.

Foto: Arquivo | Jefferson Viana

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