Projeto pedagógico promove comunicação por meio de cartas entre alunos do 9º ano

Realizado ao longo do ano letivo, projeto “De carta em carta” envolveu alunos da rede municipal de São Pedro da Aldeia e Araruama

Resgatar em sala de aula as habilidades de leitura, escrita e comunicação via carta, além de proporcionar o compartilhamento de histórias, vivências e experiências. Essa foi a missão, cumprida com sucesso, do projeto pedagógico “De Carta em Carta”, realizado pelas professoras de Língua Portuguesa Aline Corôa e Sue Hellen da Silva Vieira. Cerca de 150 alunos do 9º ano da Escola Mz. Paineira e E. M. Profª Dulcinda Jotta de Mendes, em São Pedro da Aldeia, e da E. M. Celina Mesquita Pedrosa, em Araruama, aproveitaram a oportunidade de se comunicarem entre si usando pseudônimos. A culminância do projeto, que reuniu todos os participantes, aconteceu na quarta-feira (09/11), em São Pedro da Aldeia.

Alunos se conhecem após meses trocando cartas
Foto: Divulgação

Coordenadora de Língua Portuguesa em São Pedro da Aldeia e professora da disciplina na escola araruamense, Sue Hellen da Silva Vieira comentou sobre a iniciativa. “Esse é um projeto que a princípio foi pedagógico, porque nós estávamos querendo trabalhar o gênero textual da carta pessoal, com suas características e seu constante desuso. Depois, começamos a perceber que superou o pedagógico e os alunos começaram a contar também particularidades, intimidades e problemas pessoais, tudo foi compartilhado nas cartas”, destacou.

A culminância do projeto, realizada na Escola Mz. Paineira, no Balneário das Conchas, foi, na verdade, um grande momento de confraternização. Ao chegarem no local, os alunos foram separados por escolas e colocados em fileiras. Identificados com crachás que apontavam seus pseudônimos e nomes de batismo, os estudantes logo se espalharam e começaram a procurar pela sua dupla para, finalmente, conhecerem seus correspondentes.

Uma das alunas participantes, Sara Lima comentou com satisfação sobre o projeto. “Eu gosto muito de ler, escrever e de participar de coisas diferentes. Essa experiência me fez ficar mais sociável e um pouco mais alegre. Para mim, foi muito bom participar do projeto. No começo, a gente fica um pouco tímida por conversar com uma pessoa sem saber quem ela é, vem a curiosidade e a ansiedade, mas a minha dupla combinou muito comigo”, afirmou a aluna aldeense, de 15 anos.


Sara se correspondeu com Rafaela Lins, estudante de 14 anos da cidade de Araruama. “Também achei o projeto muito legal, foi uma ideia muito boa. Fiquei ansiosa por dias, porque achei uma coisa extremamente criativa, que estimulou a criatividade de todos os alunos da sala, inclusive a minha”, comentou.

Sara e Rafaela
Foto: Renato Fulgoni

DE CARTA EM CARTA

O projeto “De Carta em Carta” foi trabalhado dentro de sala de aula desde o início do ano letivo de 2022. O marco inicial foi a leitura da carta de Pero Vaz de Caminha, seguida pela leitura do poema “Todas as Cartas de Amor são Ridículas”, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa. Os alunos escreviam suas cartas na primeira semana do mês; na segunda, a professora pontuava as correções necessárias e, na terceira semana, os escritos eram entregues às duplas.

As professores Aline e Sue Helen, idealizadoras do projeto
Foto: Renato Fulgoni

Professora de Língua Portuguesa e uma das idealizadores do projeto pedagógico, Aline Corôa destacou o lado fraternal da iniciativa. “Era um momento em que eles estavam desabafando, eles sabiam que a pessoa do outro lado não iria punir nem apontar o dedo porque tinham a mesma idade, o mesmo pensamento. Observei que os alunos começaram a ter mais cuidado com a escrita e a caprichar mais. Idealizei esse momento porque queria que eles se encontrassem e se conhecessem fisicamente, assim, eu fechei o ciclo da escrita e da leitura. Agora outro ciclo está começando, o da amizade”, destacou emocionada.

Evento promoveu um momento de confraternização entre os participantes
Foto: Renato Fulgoni

VALOR PEDAGÓGICO

O projeto das professoras contou com o apoio da Secretaria Municipal de Educação. A diretora de Ensino da pasta, Wânia Dias, e a chefe de gabinete, Paula Lobo, prestigiaram o evento da quarta-feira (09/11), representando a secretária Sheila Atalla.

Equipe SEMED
Foto: Renato Fulgoni

A coordenadora dos Anos Finais do Ensino Fundamental e da Educação Ambiental da SEMED, Tatiane Bittencourt, reforçou a importância pedagógica da iniciativa. “Vivemos na Era da Tecnologia e, com isso, a escrita fica um pouco de lado. Depois de uma pandemia, com tanta defasagem na escrita, um projeto como este motiva os alunos a escreverem, a pensarem na leitura, na formação de uma frase. Então, além da socialização com a união entre dois municípios, vem todo esse aprendizado. As professoras trabalharam essa questão da estrutura textual e foi muito gratificante para a coordenação fazer parte deste projeto”, declarou.

LONGE DAS REDES SOCIAIS

O uso de pseudônimos durante a realização do projeto teve um motivo específico: evitar que os participantes se procurassem em perfis das redes sociais. O objetivo era diminuir a comunicação feita on-line.

A aluna Íris, da E. M. Celina Mesquita Pedrosa, falou sobre o assunto. “Hoje em dia, as crianças estão muito envolvidas com os telefones e acham que o mundo é só o virtual. Então achei o projeto maravilhoso. Foi ótimo conhecer novas pessoas, melhorar a escrita e até mesmo sair das redes sociais. Outra coisa que gostei foi não poder colocar o nome e ter que usar um pseudônimo, porque, assim, as pessoas não se buscam nas redes sociais para acabar conversando antes. Achei isso muito legal”, disse.

Já o seu correspondente, o aluno aldeense Rafael Augusto, ressaltou como o projeto ajudou na superação da timidez. “Foi uma coisa nova porque eu não tinha escrito uma carta antes e foi emocionante encontrar com ela depois de várias cartas. Uma das coisas mais legais do projeto foi conhecer novas pessoas, porque achei mais fácil começar conversando por cartas para depois conhecer melhor alguém”, comentou.

Íris e Rafael
Foto: Renato Fulgoni

A troca de cartas não foi restrita aos alunos de municípios diferentes. Estudantes da Escola Mz. Paineira e da E. M. Profª Dulcinda Jotta de Mendes também se comunicaram. “O fato da gente não se conhecer foi a parte mais interessante. Tudo que é novo assusta, mas eu fiquei muito impressionada quando recebi a carta dela”, contou Kailany Carvalho, de 16 anos. Apesar do receio inicial, Luana, sua dupla, também achou o projeto incrível e ficou muito feliz ao conhecer sua correspondente.

Kailany e Luana
Foto: Renato Fulgoni

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