O Museu Regional do Sal Manoel Maria de Mattos, em São Pedro da Aldeia, segue ampliando sua programação cultural e educativa, reforçando o papel do espaço na preservação da história e das tradições locais. Nesta sexta-feira (20/03), foi realizada a exibição do documentário “Tá pra Peixe” e a abertura da exposição artística “Pesca Artesanal Itinerante”, de autoria do pescador Orlando Pacheco. O evento reuniu alunos do 2º e 3º anos do Colégio Estadual Nobu Yamagata em uma atividade educativa voltada à valorização das tradições locais.


O diretor do Museu do Sal, Alexandre Martins, destacou a importância do espaço como ferramenta de formação cultural. “As culturas salineira e da pesca artesanal sempre caminharam juntas, desde antes de ser uma cultura cristalizada na Aldeia e na região. Assim, o desenvolvimento econômico teve uma forte presença dessas duas atividades. Então, é muito justo aqui no Museu do Sal a gente frisar a importância da pesca artesanal junto com a indústria salineira. Nosso espaço tem o intuito de atender o público estudantil e contribuir para a formação dos jovens. Essa é a nossa missão, valorizar a cultura da pesca artesanal, que não pode ser apagada”, afirmou.
Com duração de 30 minutos, o documentário “Tá pra Peixe” tem a Lagoa de Araruama como cenário principal. Após a exibição da película, os alunos participaram de um bate-papo sobre a profissão de pescador, os saberes tradicionais e a importância da preservação ambiental.



Para o produtor cultural Pedro Figueiredo, o espaço cumpre um papel importante na valorização da identidade local. “São Pedro da Aldeia tem disponibilizado esse equipamento que traz uma parte importante da história do município, que é a salina. Um pedaço do município que vem se perdendo, mas o espaço retoma a preservação da identidade municipal. Abrir esse espaço para um projeto de um edital da Secretaria Estadual, que convida alunos da Rede Estadual de Ensino, é especial. A exposição e exibição do documentário estão abertas ao público, com entrada gratuita. Fico muito feliz com esse incentivo que o Poder Público traz para nós, produtores culturais. Afinal, nós somos também divulgadores de conhecimento, de ensino, de cultura para a população”, declarou.

A exposição “Pesca Artesanal Itinerante”, do pescador Orlando Pacheco, apresenta uma maquete que retrata oito técnicas utilizadas na Lagoa de Araruama, como tarrafa, gancho de tainha e cerco de peixe.Com base na própria vivência, iniciada ainda na infância, o autor busca transmitir conhecimento e manter viva uma tradição que atravessa gerações.
O pescador falou sobre sua arte. “Tive a ideia de fazer a maquete e explicar cada atividade, mostrar como ela é importante na vida dos municípios, porque até o século XX a pesca artesanal e a extração de sal eram os poderes econômicos da nossa cidade para toda a Região. É com muito orgulho que exibo aqui no Museu do Sal, pois com 9 anos, eu comecei a pescar e parei com 57 anos. Venho de uma família de pescadores, meu filho também é pescador. A ideia da criação da maquete aconteceu porque, já que eu não podia pescar, queria ensinar as crianças e as pessoas para não deixar essa atividade morrer”, contou Orlando.
Entre os estudantes, a atividade também gerou reflexão. O aluno do 2º ano, Matheus Galiban, destacou o impacto do conteúdo apresentado. “O documentário é importante por mostrar a história da nossa lagoa para nós, que moramos em São Pedro da Aldeia, mas não entendemos o quanto a nossa região pode nos oferecer. Um dos pescadores já catalogou 28 espécies de peixe na nossa lagoa, por exemplo”, pontuou.


O Projeto “Tá Pra Peixe” é contemplado pelo edital 06/2024 – Fluxos Fluminenses – da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro (SECEC-RJ) através da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Enquanto a exposição “Pesca Artesanal Itinerante” é contemplada pelo Edital 04/2025 do Programa Municipal de Editais de Fomento e Difusão Cultural (PROEDI).
A programação segue aberta ao público com entrada gratuita ao longo do mês de abril, ampliando o acesso a conteúdos que valorizam a cultura local, a memória coletiva e a relação histórica do município com a Lagoa de Araruama.
