Minissérie “Cultura Negra e Identidades” apresenta estilista aldeense que resgata raízes africanas pela moda

No segundo vídeo do projeto, Marlúcia Soares fala do papel da moda afro-brasileira

A Secretaria Adjunta de Cultura de São Pedro da Aldeia lançou o segundo vídeo da minissérie audiovisual “Cultura Negra e Identidades”, como parte da programação virtual alusiva à Semana da Consciência Negra. Neste segundo capítulo, a estilista, produtora cultural e pesquisadora aldeense, Marlúcia Soares, destaca o papel da moda afro-brasileira como ferramenta mantenedora da memória e da ancestralidade do povo negro, e no fortalecimento das raízes culturais africanas. Clique AQUI para acessar o vídeo, disponível na página da Cultura no Facebook.

Lançado no último dia 20, Dia da Consciência Negra, o projeto audiovisual traz entrevistas com personalidades do município que, por meio do seu trabalho, contribuem para a valorização e preservação da cultura e das tradições da população negra nos mais diversos segmentos culturais.

Minissérie é gravada semanalmente e apresenta personalidades de São Pedro da Aldeia que, por meio do seu trabalho, contribuem para a preservação da cultura negra
Foto:
Raíra Morena

Nascida e criada em São Pedro da Aldeia, Marlúcia Soares, a Malu, atua há mais de 10 anos no segmento da moda afro-brasileira e desde o início do ano se dedica à criação de peças exclusivas para sua própria marca, a Miss H-RO. A estilista conta que a falta de representatividade foi um dos motivos que impulsionaram o início da sua carreira. “Desde criança eu sempre sonhei em ser uma grande costureira. Costurava roupas de boneca e já me interessava pela criação, mas com o passar do tempo eu fui percebendo a maneira como a moda se apresentava para a gente no Brasil. Eu sempre via modelos em grandes desfiles, mas não via um negro. Foi a partir daí que começou o meu questionamento”, conta.

Muito além de um simples ato do vestir, Malu acredita no poder da moda afro-brasileira como ferramenta de resgate às raízes culturais africanas. “A moda afro-brasileira vem para enriquecer, afirmar, preservar e valorizar a nossa cultura e a nossa estética, que vem de África. Quando uma pessoa usa uma peça em estilo afro, seja um turbante, uma saia ou qualquer outro acessório, ela está afirmando de onde veio, suas raízes, seus valores e o seu direito de existir como ela é. E tudo ali tem uma simbologia”, disse.

Peças contém símbolos ideográficos e ideogramas, chamados Adinkra, que são usados para valorizar e preservar o legado e as tradições africanas
Foto: Raíra Morena

Estilo afro-brasileiro

Caracterizada por estampas étnicas e geométricas, modelagens amplas e por cores fortes e vibrantes, o estilo afro-brasileiro, segundo Malu, reforça os significados históricos, que passam também pelas religiões de matriz africana. A estilista explica que os elementos que caracterizam a moda afro-brasileira se formaram a partir do conjunto histórico trazido do continente africano ao Brasil com a escravidão, a mistura de povos, culturas, costumes e crenças.

Coleções são inspiradas na cultura dos povos acã, da África Ocidental, e também na cultura indígena
Foto:
Raíra Morena

“É interessante conhecer a cultura afro para saber, por exemplo, o porquê de usarmos uma peça. Muitas pessoas podem me questionar porquê estou de amarelo aqui e com outra cor na minha saia, mas tudo isso são elementos que lembram a minha cultura, que vêm justamente da mistura, da miscigenação e da influência de outras culturas, como a indígena e a portuguesa. Assim como o turbante, que carrega diversos sentidos, ritualísticos e também religiosos, que vão além do adorno. Isso tudo tem que ser respeitado”, reforça.

Foto: Raíra Morena

Na Semana da Consciência Negra, a estilista é otimista ao refletir sobre os desafios impostos por uma sociedade ainda marcada pelo preconceito e fala sobre o seu papel, enquanto agente cultural, na luta contra o racismo e o preconceito étnico-racial. “Fiz uma pesquisa no campo universitário a respeito da aceitação e do conhecimento das pessoas sobre a moda afro e um dado muito interessante foi que 75% das pessoas que foram entrevistadas não conheciam esse segmento. Não sabiam para que servia, ignoravam e até achavam feio. E, depois que elas passaram a conhecer, de fato, elas começaram a ter uma outra visão e passaram a respeitar. O conhecimento é a chave para o combate ao preconceito e ao racismo, porque enquanto a gente tiver uma sociedade ainda baseada nos moldes europeus, vai ser difícil. É um trabalho de formiguinha, mas eu acredito que, com conhecimento, as pessoas mudam a visão. Eu vejo que está mudando e fico feliz por poder levar empoderamento, autoestima e de poder contribuir com o meu trabalho”, finaliza.

Para conhecer o trabalho da estilista, acesse https://www.instagram.com/missagarro/.

Clique AQUI e confira também o primeiro vídeo da série.

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